Há 80 anos representando e fortalecendo a educação privada em Pernambuco.

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SINEPE-PE: 80 anos de história na Educação de Pernambuco

SINEPE-PE: 80 anos de história na Educação de Pernambuco

As origens (1946–1960) – Os pioneiros

A história do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Pernambuco - SINEPE-PE - tem suas fontes nos anos 40 do século passado, quando um grupo de educadores de nomeada sentiu a necessidade de agregar corações e mentes comprometidos com a educação para traçar algumas linhas de ação que consolidassem o espírito da livre iniciativa, empreendedor e sempre inquieto, com a visão de bem social que cabe a toda e qualquer proposta no campo educacional.

Surgia, então, a Associação Profissional dos Estabelecimentos de Ensino Secundário e Primário de Pernambuco, tendo na sua presidência o Pe. Félix Pimentel Barreto, diretor do Colégio que, mais tarde, tomaria seu nome - Colégio Pe. Félix -, contando, como seu secretário, com o professor Manuel Cavalcanti de Albuquerque, diretor do Colégio Leão XIII, e como tesoureiro o professor Aluísio Pessoa de Araújo, diretor do Colégio Oswaldo Cruz. Nessas três escolas estão fincadas as matrizes do espírito empreendedor, do profissionalismo e, sobretudo, do compromisso irrestrito com a Educação que vêm norteando nossas ideias e ações ao longo desses oitenta anos.

Foi desse embrião que surgiu o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Pernambuco - SINEPE-PE, constituído para coordenação, defesa e representação jurídico-institucional da categoria econômica dos estabelecimentos particulares de ensino. Seu marco zero foi fincado no dia 27 de setembro de 1946, com registro oficial no então Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, tendo como presidente a figura marcante do Pe. Félix Pimentel Barreto, que já esboçara seu perfil de grande semeador na primitiva Associação Profissional de Escolas.

Essas escolas, agora juntas em prol da educação, uniram esforços e competências para intervir como agentes transformadores da sociedade, na medida em que contribuíam para descortinar um novo olhar sobre o processo educativo. Não apenas se falava em pluralidade, em diversidade, mas se vivenciavam tais experiências no dia a dia de cada escola.

Foram grandes guerreiros dessa primeira hora educadores do porte dos já mencionados Pe. Félix Barreto, Dr. Manuel Cavalcanti e Prof. Aluísio Araújo, e os novos quadros que surgiam, com todo vigor, nas figuras de Dr. Aderbal Jurema, Padre Belchior Atarde, Merval Jurema, Madre Tarcísia, Aderbal Galvão, Luiz Pessoa da Silva e Irmão Carlos Martinez. Todos eles deixaram marcas indeléveis na história da educação em Pernambuco.

A consolidação (1960–1990) – A construção da representatividade

Com a consolidação de sua presença no nosso estado, nosso sindicato empreendeu voos mais altos. Percebendo que o espaço para as discussões sobre as questões educacionais não se restringia a Pernambuco, que, antes, era uma tarefa de âmbito nacional, o SINEPE-PE filiou-se, nos anos 60, à então Federação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, mais tarde transformada na CONFENEN - Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino.

Foi daí que começamos a ser referência de combatividade, de representatividade e, sobretudo, de empreendedorismo para todos os demais sindicatos do país. Assumiu, então, a presidência do SINEPE o Dr. Rodolfo Aureliano, com atuação destacada na consolidação da nossa imagem positiva perante a sociedade pernambucana na formação da sua juventude - futuros quadros políticos, empresariais e técnico-profissionais, a serviço das causas maiores do estado e do país.

Nessa gestão, aberta às mudanças e, por isso mesmo, fomentadora de novas lideranças, foram assumindo novas funções e ganhando luz própria as figuras de Dr. Lucilo Ávila Pessoa e José Gomes Santiago. Com o falecimento do Dr. Rodolfo, pegaram eles o bastão e levaram a categoria para os novos desafios que se delineavam. Foi o tempo dos anos de chumbo, mas também dos grandes debates sobre o papel da iniciativa privada na educação nacional, num momento de explosão da necessidade de o poder público estender o ensino a todas as camadas da sociedade brasileira. Diante desse quadro, a escola pública teve de mudar sua escala de atendimento e, como não estivesse preparada para essa nova situação de demanda, perdeu em referência e qualidade.

E nós, defensores da livre iniciativa com responsabilidade social, firmamos então a educação privada como uma opção para a formação de cidadãos livres e solidários, e sua inserção no mundo do trabalho e nas decisões dos destinos do nosso país.

No exercício da presidência do nosso sindicato, Dr. Lucilo Ávila foi destacado pelos seus pares para funções outras junto à recém-estabelecida Federação dos Estabelecimentos de Ensino - FENEN. Foi na sua gestão que tivemos em Recife, no ano de 1965, a realização do Encontro Nacional dos Sindicatos das Escolas Particulares do Brasil, um evento que bem traduziu nosso papel de pioneiro na educação privada do país à época.

De lá até seu último momento entre nós, Dr. Lucilo só reiterou seu idealismo e compromisso com a educação, seja nos seus pensamentos, nas suas palavras ou nas suas obras. Para nós, que tivemos o privilégio de com ele conviver em diversos momentos da nossa vida pessoal, profissional e sindical, é de mister nosso testemunho, à plena voz, de seu perfil de líder servidor, em que firmeza e ternura se irmanavam.

Entramos nos anos 70 com maior projeção nacional ainda, graças ao perfil proativo e sempre combativo do presidente que assumiria em seguida ao mandato do Dr. Lucilo Ávila. Começava a inscrever seu nome na educação como líder de todos nós o Dr. José Gomes Santiago. Acostumado às lides do mundo jurídico e sendo um colaborador atento e diligente dos seus antecessores, Dr. Santiago levou nosso segmento à posição de destaque no cenário nacional ao chegar à presidência da CONFENEN. Foi em sua gestão que ocorreu o XII CONEPE - Congresso Nacional dos Estabelecimentos de Ensino, cuja sede foi Recife e o nosso SINEPE foi o grande anfitrião dos sindicatos vindos de todos os rincões do país. Foi neste evento de tamanha magnitude que se discutiram as novas Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com a participação dos mais renomados educadores de todo o Brasil.

E mais precisamente, no ano de 1976, evidenciando todo o seu senso premonitório e visão de futuro, agora como delegado da FENEN e concomitantemente presidente do nosso SINEPE, Dr. Santiago coordenou o XV CONEPE, cujo tema principal preconizava uma nova onda para a educação privada brasileira - a escola particular como empresa educacional. O sentido premonitório disso é incontestável, visto que aconteceu há mais de quatro décadas. E só avançar no tempo e passar em revista os anos 80 e 90: a abertura política, as diretas já, a luta pela recomposição do nosso frágil espírito republicano, a busca dos acertos macroeconômicos, do fortalecimento das instituições democráticas do país, da ruptura com os preconceitos, a difícil inserção do país na era da globalização, a chegada ao terceiro milênio e, com ele, a confrontação dos novos desafios.

Aprendemos com todos que foram parte ativa nessa história a não ser meros figurantes, mas protagonistas e prenunciadores das mudanças sensíveis que vêm ocorrendo na educação ao longo do tempo. Um exemplo concreto disso é a nossa efetiva participação no órgão que define as normas reguladoras do nosso sistema de ensino - o Conselho Estadual de Educação, desde a sua fundação, nos anos 60. Foram nossos representantes, nesse Colegiado, educadores do estofo de um Rodolfo Aureliano, Irmã Querubina, José Florêncio, Irmão Orlando Cunha, Humberto Vasconcelos, Lucilo Ávila e Alcides Tedesco, que ocuparam sua presidência, prof. Armando Reis Vasconcelos, que foi seu vice-presidente, e Arnaldo Mendonça. Atualmente, mantém nossa representação naquela Casa o professor Francisco Ferreira.

A modernização (1990–2019) – Gestão, inovação e formação

No novo século que se pronunciava, o SINEPE-PE empreendeu mudanças em seu rumo de forma exemplar e contemporânea para enfrentar os desafios novos que se interpunham a todos nós, que não eram de uma diretoria com seu conselho diretor, mas de todos nós empresários e gestores de educação, no sentido de delinearmos uma visão estratégica para nossa atividade profissional, para a inserção das nossas escolas nos novos tempos.

Foi com esse foco, então, que incrementamos, num trabalho a várias mãos, sempre, nossa atuação junto às escolas com propostas de formação continuada nas áreas empresarial, marketing educacional, pedagógica, jurídica, trabalhista e institucional, na atualização face ao mundo digital, com o advento das redes sociais, tudo isso no intuito de projetar, cada vez mais, nossa importância na formação de cidadãos críticos e responsáveis com os destinos da nação brasileira, ao mesmo tempo em que se afirmam como cidadãos do mundo.

A pandemia (2020–2022) – Quando a educação precisou se reinventar

Mas essa caminhada seria bruscamente confrontada por um evento planetário de efeito devastador e letal.

Nenhum capítulo da história recente do SINEPE-PE foi tão desafiador quanto o enfrentamento da pandemia da COVID-19. Em poucos dias, escolas fecharam suas portas, professores precisaram reinventar sua prática, gestores reorganizaram completamente suas instituições e famílias passaram a compartilhar, dentro de casa, o cotidiano da aprendizagem.

Diante de um cenário marcado por incertezas, medo e ausência de precedentes, o SINEPE-PE assumiu uma postura firme e propositiva. Atuou intensamente junto aos órgãos públicos, orientou juridicamente as escolas, promoveu formação continuada, fortaleceu o diálogo com as famílias e defendeu, acima de tudo, o direito dos estudantes de continuarem aprendendo.

Foi o tempo de “aprender fazendo”. Gestores, professores, colaboradores e estudantes descobriram novas formas de ensinar, aprender e manter viva a relação entre escola e conhecimento. Não foi um caminho simples. Exigiu coragem, criatividade, resiliência e espírito de cooperação.

Ao final daquele período, permanecia a convicção de que o esforço coletivo havia valido a pena. As escolas seguiram cumprindo sua missão, preservaram vínculos, garantiram a continuidade da aprendizagem e demonstraram que, mesmo diante da maior crise educacional de nossa geração, a educação é capaz de se reinventar sem perder sua essência.

Os novos desafios (de 2023 aos dias atuais)

Inteligência artificial, inclusão, saúde mental, segurança escolar, reforma do Ensino Médio, internacionalização, sustentabilidade e transformação digital.

O tempo não para! Aprendemos muito nesses anos. E as lições e experiências vividas nos impelem a seguir em frente.

Hoje, quando olhamos para trás, vemos muito mais do que oito décadas de história. Vemos milhares de vidas transformadas pela educação, gerações de educadores que fizeram da escola um espaço de esperança e uma instituição que jamais deixou de acreditar no poder do conhecimento.

O SINEPE-PE chega aos seus 80 anos consciente de que os desafios mudam, mas a missão permanece a mesma: servir à educação, fortalecer as escolas e contribuir para a construção de uma sociedade mais livre, mais justa e mais humana.